segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

MINHA MÃE ADOTIVA TAMBÉM ME REJEITOU

Olá Amigos!!!

Sei que ando sumida, mas estou passando por muitas coisas na minha vida pessoal o que tem me afastado daqui.

Já fizemos a nossa entrevista com a psicóloga da VIJ e também nossa visita domiciliar, nosso processo deve ser encaminhado ao Ministério Público ainda esta semana.

Apesar disso não ando feliz, preciso resolver outras questões e por este motivo vou me ausentar um pouco daqui. Não sei até quando. Quando me sentir melhor venho e posto, mas agora não será com a mesma frequência e espero que vocês entendam.

Beijinhos a todos

 

Mais uma história triste e cruel de abandono.

Li num blog, só sei que a fonte é a revista Marie Claire, não sei data.

O blog é este: http://ericahi.wordpress.com/2009/12/13/minha-mae-adotiva-tambem-me-rejeitou/

 

abrigo3

“Minha mãe adotiva também me rejeitou”

Yasmin(*) foi adotada com dias de vida. Teve casa, pai, mãe, dois irmãos, escola e até babá. Mas o mundo ideal de qualquer criança ruiu quando ela foi novamente rejeitada. A família que a pegou para criar desistiu da adoção quando ela tinha 6 anos. O processo de devolução foi lento e doloroso. Aqui ela conta como percorreu o caminho inverso da adoção. Depoimento concedido a Paula Calloni

Por Paula Calloni

Fui adotada ao nascer por um casal de advogados. Eles tinham dois filhos meninos, de 12 e 10 anos, quando me pegaram para criar. Eu era filha da empregada da família. Não conheci minha mãe. Durante parte da infância, acreditei que aquelas pessoas fossem meus pais e irmãos biológicos. A revelação chegou aos poucos, mas de forma bruta. Primeiro, fui deixada em um abrigo para órfãs, achando que era um colégio interno. Depois, soube pela mulher que eu chamava de mãe que era adotada. Em seguida, ela disse que não me queria mais como filha.

Pessoas que me conhecem não acreditam na minha história por causa do meu tipo físico. Minha pele é clara, sou loira de olhos verdes e, pelas poucas fotos que tenho de mim, dá para ver que fui uma criança bem bonita: branca, cabelo liso, bochecha rosada, qualidades que nove entre dez casais levam em conta na hora da adoção. Só que, no meu caso, essa herança genética não me ajudou em nada.

Por um tempo, vivi cercada de cuidados. Tive babá, ia para a escola, natação, dormia em um quarto só meu. Minha ‘mãe’ não era de dar beijo e abraço em ninguém, nem em mim nem nos meninos. Então, nossa convivência parecia ser normal. Meu ‘pai’ também era um homem seco, desses que tomam o café da manhã sem tirar os olhos do jornal. Meus ‘irmãos’ nunca foram de me paparicar, mas a gente se dava bem. Morávamos em um bom apartamento no Brooklin, na zona sul de São Paulo. Minha mãe biológica já não vivia com a gente. Me contaram que ela foi embora quando nasci. Dela, só sei o primeiro nome. Meu pai biológico é um total mistério.

A primeira ruptura com essa família aconteceu quando eu tinha 6 anos. Minha ‘mãe’ me levou para o que chamou de colégio interno. Entrei no carro aos berros, esperneando. Não queria ir. Mas ela estava determinada e indiferente aos meus apelos. Chegamos a um lugar grande, arborizado, com um prédio de poucos andares e uma capela. Estava apavorada quando fui apresentada à irmã Fátima, uma freira que vestia hábito marrom.

A PRIMEIRA RUPTURA ACONTECEU QUANDO EU TINHA SÓ 6 ANOS. MEUS ‘PAIS’ ME TIRARAM DE CASA E ME LEVARAM PARA UM ABRIGO DE MENINAS ÓRFÃS, MAS ME FIZERAM ACREDITAR QUE ALI ERA UM COLÉGIO INTERNO”

Minha ‘mãe’ se despediu como se fosse voltar dali a meia hora. Me deu um abraço, disse que me deixava no ‘colégio’ porque era o melhor para mim e foi embora. Sobrei no saguão do prédio ao lado de uma mala e da irmã. Soluçava de medo. A freira tentou me acalmar, me pegou pela mão e me levou até o meu novo quarto. Era um espaço enorme, com pé-direito bem alto, piso de madeira, paredes brancas quase nuas, só com uns quadros com imagens de Jesus e Maria. Tinha umas 20 camas, todas de solteiro, uma ao lado da outra.

Os primeiros dias foram apavorantes. Eu me sentia triste, sozinha e assustada. Por outro lado, pensava no que minha ‘mãe’ tinha dito: ‘Aqui é o melhor lugar para você’. Durante a fase de adaptação, eu passava horas na frente do portão da ‘escola’, com a esperança de que minha ‘mãe’ aparecesse de surpresa. Ela ficou um tempão sem dar notícias. Eu chorava, pedia para ser levada para casa. A irmã Fátima era paciente e me fez entender que não sairia dali tão cedo.

Depois de mais ou menos um mês, meus ‘pais’ me visitaram. Fiquei contente! Pensei que tudo voltaria a ser como antes. Mas não passou de uma visita mesmo. Outros encontros desse tipo aconteceram e demorei a entender por que meus ‘pais’ ficavam muito mais tempo com as freiras do que comigo. Ainda assim, eu tinha mais do que as outras meninas, que raramente recebiam visitas.

Vivi nesse lugar durante quatro anos, achando que estava em um colégio interno. As freiras eram rigorosas. Faziam a gente dormir às 21h, acordar às 5, tomar banho e rezar antes do café da manhã. Depois, íamos para a escola de fato, que ficava ao lado do abrigo. Era tudo no mesmo terreno. Havia muitas funcionárias, que se revezavam nos serviços de limpeza e alimentação. Éramos umas cem meninas, entre crianças e adolescentes, e tudo era controlado pelas irmãs — do tempo no chuveiro ao tanto que a gente podia ficar em frente à televisão, sintonizada em um único canal educativo.

Eu não tinha consciência, mas agora sei que era tratada com mais atenção do que as outras meninas porque nasci branca, e a maioria das crianças era negra. Nas apresentações artísticas, eu sempre ficava na frente. Se as freiras recebiam doações de roupa, eu ganhava as melhores. Nos dias que a casa era aberta a interessados em adoção, eu era apresentada primeiro, e as freiras destacavam meus cabelos e olhos. Eu ainda nem sonhava que ali era um abrigo para órfãs.

Lá pelos 9 anos, já estava acostumada ao esquema da ‘escola’, mas queria saber quando voltaria para casa. Durante uma visita, de tanto perguntar o motivo de estar ali, minha ‘mãe’ perdeu a paciência. Irritada, falou que eu não podia me queixar da vida e que, se não fosse por ela, eu não seria nada. Aliás, eu devia agradecê-la. Fiquei calada a maior parte do tempo, assustada com a reação dela. Ela estava transtornada e não me poupou. Foi nesse dia que soube que não era filha dela e que minha mãe de verdade tinha me rejeitado. Ela reforçava o tempo todo que eu tinha sido ‘a-ban-do-na-da’. Não chorei, não gritei, não pedi colo. Fiquei em estado de choque, olhando para a minha ‘mãe’, sem dizer nada. Acho que essa atitude a deixou mais furiosa, porque ela foi embora sem ao menos se despedir de mim.

“EU FIZ UMA DENÚNCIA, E A FAMÍLIA INTEIRA FOI PARAR NA DELEGACIA. MINHA ‘MÃE’ DESPEJOU UM OLHAR DE ÓDIO SOBRE MIM, E FOI ESSE OLHAR DELA QUE ME FEZ RETIRAR TODAS AS QUEIXAS”

Não falei com ninguém da ‘escola’ sobre isso. Por um ano inteiro, continuei seguindo minha rotina. Até que três assistentes sociais do Conselho Tutelar da Vara de Infância deram uma blitz no abrigo. Era 1997, e nesse dia descobri que eu vivia em um abrigo para meninas órfãs, e não em um colégio interno. Minha situação era totalmente irregular. Meus ‘pais’ estavam encrencados, e as freiras também.

A solução era me mandar de volta para casa, o que foi feito naquele mesmo dia, às pressas. Eu não estava entendendo direito nada daquilo e, embora estivesse adaptada à escola-abrigo, fiquei feliz em voltar para minha ‘família’. Meu ‘pai’ foi me buscar, mas não disse nada. Na porta da escola, chorei de emoção ao me despedir das freiras, que me desejavam ‘boa sorte’, e das meninas.

O meu retorno ao apartamento do Brooklin foi uma catástrofe. Minha ‘mãe’ estava muito brava. Assim que me viu, falou: ‘Pensei que ficaria livre de você até os seus 18 anos, mas você me denunciou, não foi?’. Neguei, até porque nem sabia como fazer uma denúncia. O clima ficou pesado por pouco tempo. De repente, todo mundo começou a ser legal comigo. Acho que ficaram com medo de que eu realmente os denunciasse. Não levaram em conta que eu só tinha 10 anos e estava confusa com o que estava acontecendo.

Nessa época, meus ‘pais’, que sempre tiveram uma boa condição financeira, já não viviam tão bem. Por causa disso, brigavam muito entre si e com os filhos, mas não pegavam no meu pé. Também não me davam atenção, e eu já não tinha privilégios, como aulas de natação. Só frequentava uma escola pública perto de casa. Dois anos mais tarde, a situação econômica deles complicou ainda mais. Os dois deviam para um monte de gente e, na tentativa de despistar os credores, foram morar em um flat perto do apartamento.

Eu fiquei sozinha com os meninos. O telefone de casa não parava de tocar. Eram ligações estranhas, de pessoas fazendo cobranças. Nós tínhamos a ordem expressa de atender as ligações e dizer que os nossos ‘pais’ estavam viajando e não sabíamos quando retornariam. Nessa situação, sem dinheiro quase nenhum, eu passei a ser a empregada da casa. Os meninos não faziam absolutamente nada. Eu tinha de lavar roupa, cozinhar, faxinar. Às vezes, minha ‘mãe’ aparecia no apartamento para me dar ordens e ver como os filhos dela estavam. Minha ‘mãe’ continuava me ignorando, e isso me entristecia demais. Um dia, arrisquei discutir nossa relação, e ela asperamente disse que não havia perdão para a minha ingratidão. Na cabeça dela, eu tinha feito a denúncia na ‘escola’ para obrigá-la a me levar de volta para casa. Eu não tenho a menor idéia de quem denunciou, talvez uma das freiras, não sei.

Fui me tornando uma menina amarga e cultivando a revolta dentro de mim. Não entendia por que ela era tão fria comigo. Por que me pegou para criar e depois rejeitou? Estava cheia daquilo… Minha ‘mãe’ parecia me odiar e vivia jogando na minha cara o caso da denúncia do abrigo. Ela falou tanto disso que resolvi fazer uma denúncia anônima ao SOS Criança contra os meus ‘pais’ e ‘irmãos’.

A família toda foi parar na delegacia. Eu inclusive. Na frente do delegado, minha ‘mãe’ despejou um olhar de ódio sobre mim… Ela me olhava de uma maneira que nunca mais vou esquecer. Foi esse olhar dela que me fez retirar todas as queixas. Eu tive medo de apanhar, de ficar ainda mais sozinha. Voltei pra casa resignada, mas com a idéia de fugir.

Depois da denúncia, minha ‘mãe’ ficou ainda mais paranóica e passou a vasculhar minhas gavetas, mochila, armário. Meu ‘pai’, que só fazia o que a mulher mandava, não se metia nas atitudes dela. Para me provocar e piorar ainda mais o clima, os meninos não me chamavam mais pelo nome, só de ‘adotada’, ‘rejeitada’. A situação ficou insustentável. Fui nutrindo um ódio por aquelas pessoas a ponto de desejar nunca mais vê-las na minha vida. Esse sentimento era recíproco e foi rompido quando minha ‘mãe’ me mandou fazer as malas mais uma vez. Eu ia ser levada para um fórum da cidade para, finalmente, ser devolvida oficialmente.

Obedeci à ordem sem questionar. Estava cansada daquilo, de sentir tanta raiva, de viver naquela angústia. Eu queria chorar, mas não fiz isso na frente da minha ‘mãe’. Não quis dar esse gostinho a ela. Arrumei minhas coisas sem saber para onde iria. Na saída de casa, meus ‘irmãos’ disseram ‘tchau’ sem conseguir me olhar nos olhos. Entrei no carro com uma mala na mão sem destino certo. Minha única certeza era que nunca mais veria aquelas pessoas. Eu tinha 14 anos e estava determinada a sair daquela situação. No caminho, minha ‘mãe’ falou sem parar, sempre com o mesmo discurso: que eu era ingrata, mal agradecida, que ela tinha me tirado do abandono… Eu nunca pedi para ser adotada. Mas fui, para, em seguida, ser rejeitada como uma mercadoria estragada. Era assim que eu me sentia, a maçã podre da cesta.

O fórum estava movimentado, mas não esperamos muito para o atendimento. Meus ‘pais’ foram ouvidos pelo juiz, e eu fui encaminhada para uma outra sala, onde estavam uma assistente social e uma psicóloga. Contei a elas toda a história: os primeiros anos com a família, a minha estadia na escola-abrigo e o meu retorno para casa. Meus nervos estavam em frangalhos e aquela conversa só aumentou a minha convicção de não querer ver nunca mais aquelas pessoas. A última vez em que estive frente a frente com os meus ‘pais’ foi na sala desse juiz, que, estranhamente, não ouviu a minha versão da adoção. Eu estava com o rosto todo vermelho de tanto chorar… Não houve despedida, abraço, beijo, nada. Dessa sala, eu fui encaminhada para um outro abrigo em Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo. Estava destruída, humilhada e, ao mesmo tempo, aliviada. Nesse abrigo, morei até os 18 anos, idade em que todos os abrigados precisavam tocar a vida por conta própria.

Lá era bem diferente da ‘escola’ das freiras, porque a gente tinha um monte de tarefas: arrumar a cozinha, limpar o chão, lavar as roupas. Cada dia, um grupo de meninas fazia um determinado serviço. Era puxado, porque, além do trabalho, a gente também ia para a escola, que ficava a algumas quadras do abrigo. Mas foi nesse lugar que tive o apoio de muita gente, de profissionais e de outras garotas que tinham passado por situações semelhantes à minha. Foi lá que tive a chance também de ser adotada por outra família. Fiquei tentada, mas desisti. Morri de medo de passar por tudo de novo. Eu não aguentaria outra rejeição e fiquei muito desconfiada das pessoas que diziam me querer como filha. Não me arrependo. Eu precisava pensar, processar tudo o que tinha me acontecido.

Quando fiz 16 anos, consegui um estágio como secretária em uma multinacional. Era uma oportunidade para eu começar a enfrentar o mundo lá fora. Mudei o horário da escola para a noite e passei a ter como um mantra refazer a minha vida. Só pensava em terminar meus estudos, trabalhar e ganhar a independência. Foi o que aconteceu. Aos 18, deixei o abrigo e aluguei uma casinha modesta para morar. Os primeiros meses sozinha foram estranhos, mas, aos poucos, me acostumei com esse tipo de solidão também. Faz quatro anos que continuo batalhando. Fui contratada pela empresa e terminei o ensino médio. Agora economizo para estudar mais e entrar em uma boa faculdade pública de administração.

Nunca mais tive contato com a minha ‘família’, mas, uma hora, vou precisar estar novamente com ela ou parte dela. Meu caso é complicado juridicamente porque, apesar de ter sido devolvida, tenho na minha certidão o sobrenome da família e, portanto, direito à herança ou às dívidas. Não quero nada deles, e um advogado me ajuda a reverter qualquer vínculo legal que eu ainda possa ter.

Já passei noites inteiras pensando em minha mãe biológica, nos motivos que a levaram a me abandonar. Pensei em procurá-la, mas desisti. Ela já não me quis uma vez, talvez não me queira agora, aos 22 anos. Por enquanto, vou levar a vida meio sozinha. Digo isso porque estou namorando e não descarto a idéia de casar, ter filhos. Quero experimentar a maternidade de um jeito bem diferente dos exemplos que tive. Tenho certeza de que vou conseguir.”

barrasnatalmagia70

4 comentários:

Clarissa disse...

Lê, vc não vai deixar a peteca cair, vai? Vim aqui pra saber sobre a entrevista e fico feliz que o processo esteja correndo. Todos nós passamos por momentos conturbados, mas o bom na vida é que tudo passa... Espero ver você melhor logo logo! beijos, linda, fique bem!

carmen disse...

´Letícia, como disse a amiga acima, todos passamos por momentos difíceis. Aqui não é nenhum paraíso amiga, mas tb não precisa ser um inferno. Depende da forma como encaramos nossas dificuldades.
Espero que vc passe rapidinho por essa fase!

Força e coragem!
Beijos
Carmen Monari

Letícia Godoy disse...

Clarissa e Carmem,

Muto obrigada pelo apoio, mas é isso mesmo, tem dias que a gente fica meio pra baixo mesmo e pensa um monte de besteiras.

Agora já estou bem, graças à Deus.

É normal adotantes passarem por estes altos e baixos e comigo não seria diferente.

beijinhos minhas lindas, adoro vcs

Anônimo disse...

Olá, Peço a Deus para te dar forças e continue te iluminando em sua caminhada árdua e solitária.A proposito, tenho uma historia de vida muito parecida com a sua. Gostaria de pegar seu email ou msn para podermos detalhar e compartilhar o nosso sofrimento. Lembre de uma coisa, vc não está sozinha neste sofrimento, Tem alguém em um canto do país que sofre assim como vc, pelas mesmas dores. Um grande abraço e fique com Deus

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