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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Constelação e filho adotivo

A natureza do homem é bonita, instigante, desafiadora. Quase todos nascem com a capacidade de procriar e gerar filhos. E as pessoas se entregam ao ato, afinal, é muito bom! Amar e procriar! E mesmo assim, quantos e quantos seres humanos ainda assumem a responsabilidade por filhos que não foram gerados por eles?Aqui no Brasil é muito comum a figura do “filho de criação”, geralmente crianças de parentes ou conhecidos em má condições financeiras e emocionais, que são pegas por outras famílias com melhores condições. E aí o bicho pega! Um filho adotivo é sempre um filho adotivo, e por mais que se fale, da boca pra fora, que “o amor é o mesmo”, etc. e tal, é lógico que há diferenças.O filho biológico vem da barriga que julgamos conhecer: a nossa. O filho adotivo vem da barriga que não conhecemos. Existe um monte de observações que poderia fazer a respeito da adoção, mas quero falar um pouco a respeito do lado sistêmico da adoção, afinal, esta é a minha praia.

De onde vem uma criança?

Está certo, ninguém mais acredita na cegonha… E aqui no Brasil nem tem cegonha, portanto, não são elas que trazem… Mas sem brincadeira, uma criança é resultado genético e sistêmico dos seus pais e antepassados. Isto é essencial. Uma criança é fundamentalmente filha dos pais biológicos. Ela herda as características físicas do pai, da mãe, dos avós, dos bisavós, e também herda as características emocionais, impulsos, vontades, desejos, medos, talentos, etc., destes antepassados. E uma coisa que lidamos o tempo todo com as constelações familiares sistêmicas, é a rejeição: toda e qualquer rejeição acarreta uma dor “do não pertencer” muito forte, que influencia a personalidade do ser humano para sempre, até que ele possa olhar para o seu passado, reverenciá-lo e aceitá-lo. Vou explicar melhor: um abandono significa exclusão, significa – “eu não aceito você!”. Mesmo que este abandono tenha sido causado pela morte precoce do pai e da mãe, mesmo que tenha sido causado por alguma fatalidade do destino, a marca da exclusão permanece no filho. É bom realçar, porém, que este abandono está ligado a outras exclusões ocorridas no passado familiar. Nem abandono, não existe culpa da mãe e do pai, mas simplesmente é um acontecimento impulsionado pelo sistema familiar dos pais. Digo isto sistemicamente, não estou falando que a pessoa que abandona não tenha a sua obrigação com a justiça… Falo de emoções, e não de regras sociais.

Você, que está entrando em contato com a teoria sistêmica agora, deve se observar não mais como um ser individual, onde somente os fatos que aconteceram na sua vida influenciaram quem você é, hoje. Deve se ver como apenas um pedacinho de uma história que já começou há muito tempo atrás, desde os seus ancestrais, e dos quais você ainda hoje recebe muita influência, que lhe causa conforto ou desconforto, traz habilidades e dificuldades. Assim, quando adotamos uma criança, estamos adotando um passado familiar que não é o mesmo nosso, trazemos um sistema familiar diferente… Isto apresenta dois lados: para os pais que estão com as emoções pessoais e, portanto, o sistema familiar em equilíbrio e sob controle, aproximar-se do sistema familiar estranho, que é trazido pelo filho adotivo pode ser desafiador e isto proporciona um crescimento emocional maior ainda. De alguma forma, você acaba adotando também o sistema familiar do seu filho adotivo, e se este sistema tem lugar no seu coração, a adoção vai se transformar num grande crescimento pessoal. Ter um lugar no coração não significa fazer caridade para a família do adotado, trazê-los para casa, ser bonzinhos… A aceitação é emocional, e a mais pura demonstração de amor é a liberdade. Trazer algo para si significa prisão, achar que temos alguma coisa a dar para pessoas adultas e responsáveis por si é presunção e isto não é amor.O outro lado de trazer um sistema familiar para próximo do nosso próprio sistema familiar que eu quero dizer é quando as nossas próprias emoções não estão em equilíbrio. Adotar uma criança quando ainda temos muita mágoa da nossa mamãe, do nosso papai, temos bronca da nossa infância, não olhamos os nossos avós e antepassados com carinho e respeito, não reverenciamos a terra em que nascemos trará, inegavelmente, enormes conflitos dentro do lar. Em primeiro lugar, porque o desequilíbrio existe dentro do próprio sistema familiar. E ainda por cima, será colocado um outro sistema em cima… que também possui muitas arestas a aparar, afinal, se a criança foi abandonada, é porque também havia desequilíbrio no sistema familiar dela.
Adoção não é caridade

Dito isso, pergunto: será que vale a pena adotar? Ahah! Esta pergunta é uma pegadinha: para quem entendeu a lógica do sistema familiar, as coisas mais importantes que temos vontade de fazer na vida não é uma vontade pessoal, mas é uma vontade do sistema familiar. Tudo o que envolve relacionamentos íntimos são impulsionados pelo nosso sistema, e não porque queremos ou deixamos de querer. E se alguém quer adotar, não é porque é caridoso, ou porque quer salvar os pobres, ou porque tem coração grande, etc. É porque seu sistema familiar está “adotável”, quer dizer, existe uma busca de inclusão de elementos de fora, neste caso, crianças. É lógico que para incluir alguém “de fora do nosso sistema familiar”, só iremos encontrar pessoas “excluídas por outros sistemas familiares”. É impossível eu adotar alguém que já está aceito na própria família. Por isso, adotar não é uma atitude confortável. Como falei acima, a forma mais confortável de adoção é quando nos encontramos razoavelmente em equilíbrio com o próprio sistema. Mas muitas vezes o nosso sistema está um verdadeiro pandemônio, e queremos imensamente adotar… Está certo? Está errado? Vai dar certo? Vai dar errado? Isso não interessa. Do ponto de vista sistêmico, se queremos adotar, é porque o nosso sistema necessita desta adoção. Todo sistema familiar se ajusta automaticamente, e nós, seres humanos, somos as peças pelas quais o sistema realiza os ajustes. Se sofremos ou temos prazer, o sistema não interfere, porque, as vezes o ajuste se faz também com o sofrimento.

Porém, é possível suavizar e até eliminar o sofrimento pessoal. É colocando-se a serviço do sistema, observando-o, sentindo e aceitando as emoções com naturalidade, querendo construir menos as coisas da vida com a razão e os pensamentos, e simplesmente desfrutando a vida como ela é, sem querer forçar mudanças. Pode ser trabalhoso (nem sempre é), mas é gratificante. Principalmente na adoção, as emoções que temos em relação ao papai e mamãe serão realçadas, se você é pai ou mãe adotivo. Neste momento, o seu sistema está dizendo: olhe para eles, reconheça-os, aceite-os como eles foram, e assim a harmonia entre você, seu filho adotivo e todos os sistemas familiares envolvidos estará a um passo de se concretizar…

Theresa Spyra é economista, facilitadora de constelação familiar, profissional e estrutural sistêmica, mãe biológica e mãe adotiva. Conheça o seu trabalho, clicando aqui!
Fonte: http://constelacaosistemica.wordpress.com

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