quarta-feira, 8 de abril de 2009

Lê e Tati – Amor a Primeira Vista

Quando adotei minha filha foi por querer dar o amor que estava transbordando dentro de mim.

Tive oportunidade de pegar crianças, pessoas que queriam dar seus filhos, mas eu queria uma coisa legal. Também não queria vínculos, a única exigência minha na vara da infância foi “não quero crianças que tenha pai e mãe e irmãos, quero uma menina, só não quero japonesa nem loira de olhos azuis.

Quando ligaram da vara da infância para me dizer que havia um bebê eu pirei vocês não tem noção da agitação que nasce dentro do peito...

Eu havia cismado que viria um bebê, fiz enxoval, ganhei zilhões de coisas de todo mundo e quando ela veio... eu ganhei um bebê, só que de 1 ano e 1 mês vendi tudo a preço de banana.

Quando a Tati "nasceu" foi para a Funabem (extinta) e lá ficou. Era muito doentinha, tinha tudo que vocês pensarem com final de ite e ose, e viveu até 1 ano e 1 mês lá.

Quando nós a vimos, hoje a gente ri e debocha muito, a bichinha era um bichinho assustado só tinha olhos, e que olhos, ela tem olhos de jabuticaba amendoados. Quase não tinha cabelos.

Bom, voltamos ao dia que me telefonaram, me disseram que havia uma menina prontinha pra adoção que se eu gostasse (mercadoria???), poderia levar no mesmo dia pois nossos papéis estavam prontos também. Aí a mulher no telefone falou: “Só tem um problema, ela é carapinha”

Agora vê, ela não foi adotada, desde o primeiro mês em que estava na instituição por ter cabelo duro, podem acreditar. Os casais que iam lá, iam embora por isso. Olha só, Tati estava a 1 ano e 1 mês num hospital, pegava pneumonia, infecção urinária, catapora tudo por que ninguém queria uma neguinha do cabelo duro!!!!!

Pois bem, lá fomos nós, eu meu marido e meu filho, então com 14 anos. O pessoal do hospital, as enfermeiras, médicas, faxineiras, irmã de caridade todos quando sabiam que ia alguém ver a Tati arrumavam a bichinha toda pra visita, ficava todo mundo na torcida.

Quando chegamos lá tinham crianças lindas, de todas as idades, masTati era o xodó de todo mundo. Chegamos perto do berço e ela pulou pro colo do meu marido e apertou o pescoço dele com aquele abraço!!!! Aí foi só correr pro abraço a gente cheinho de amor, imaginem.

Furaram a orelha dela, afinal, ela morava ali há um ano, colocaram um brincão de perua...rsrsrs, um vestido de daminha que seria para uma criança de uns 8 anos de idade (as pessoas doam) parecia uma palhacinha rss, mas era o que eles tinham de melhor.... sabonete??? Era aquele sabão em barra marrom, mamadeira???? chuchu batido no liquidificador com arroz e feijão, banho??? Era num tanque de cimento enorme e com água gelada.

Ela estava sempre internada, não tinha dentes, nem cabelo só chumaços, mas foi amor a primeira vista gamamos, Nós nos olhamos e dissemos: É ESSA!!!

A ala inteira do hospital comemorou.

Minha filha tinha 7 quilos, calçava número 16, não andava, não tinha dentes, nem cabelo. Nós somos todos enormes, ela sumia no nosso colo.

Mas como somos brasileiros, tem um porem nessa história vocês acreditam que não pude trazer minha filha para casa?

Fiquei uma semana indo visitá-la porque era COPA DO BRASIL e os cartórios estavam fechados.

Uma semana de chuva, frio, muito frio e eu chorava, passava o dia inteiro lá, só saia quando me mandavam embora. Levava roupinha, sabonete, shampoo, brinquinho de bolinha de ouro, sapatinho uma bonequinha, quando ia embora tinha que tirar tudo parecia a cinderela ao contrário.

No dia em que iríamos levá-la para casa, todossssssss do hospital vieram despedir-se do chefe ao faxineiro, foi uma choradeira só que de alegria.

Fomos para a casa da minha mãe, minha família é pequena ao todo hoje somos 20 eramos menos naquela época, mas estavam todos lá com bolo, cartaz, comidinha e muito, mas muito amor.

Quando fez 3 meses que ela estava aqui, ela andava tinha dentes (eles pareciam que explodiam em sua boca) me disseram que foi Sazon (amor) demais rss. Seus cabelinhos eu fui cortando e cultivando, ela já estava uma bolinha de gordinha e muitoooooooo bonitinha.

Apresentamos ela na nossa Igreja foi uma alegria geral, afinal nós (eu e meu marido) fomos nascidos e criados nessa comunidade. Nessa igreja nós crescemos, namoramos, noivamos, casamos, apresentamos nossos 2 filhos e essa mesma igreja pranteou a morte do meu caçula um ano antes.... imaginem a festa!!!

Hoje faz 15 anos que minha filha chegou e mudou para sempre as nossas vidas. Mas agora preciso parar por aqui, a Tati, minha moça, quer que eu faça molho para o macarrão, ela está faminta acabou de chegar da escola rss.

4 comentários:

disse...

Parece que foi agora... revivi tudo!!! Espero que sirva pra alguém em dúvidas... Há pessoas que quando sobra amor, preferem adotar um cachorrinho ou um gatinho pra chamar de filho...

Eli disse...

Olá Lê!
Que testemunho lindo, também sou cristã,e estou esperando o meu dia chegar,de entradacom processo de adoção na fara de infãncia estou aguardando o contato deles a sua história mi deu mais forças para continuar a jornada, Deus abençõe muito você e sua família.

Psicodelia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Ola fiquei muito emocionada com seu relato. Tenho um filho de 21 anos sou separada e tenho um sonho de ter uma menina, terá que ser do coração pois não posso mais engravidar. Eu e meu companheiro queremos e vamos ter nossa Leticia Mara esse sera nome dela.Deus abençõe voce e sua linda familía...

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